Carbono
Garoto Com Lírios - Barão Wilhelm von Gloeden. 1900's
Nada mais és que terra, neste momento.
Deixou para trás este ar distante
Onde teus olhos miravam?
Nas bocas que não beijaram-te as orelhas?
Nas línguas que não deslizaram em teu pescoço?
Nas mãos que não te prenderam pela cintura?
Em verdade crua e esfolada, miravas tua sina
Pobre ragazzo
A guerra sugou-te para o seio negro
Deu-te o rubro ao invés da seiva de prazer
Como estavas farto, como de costume
Posso ver-te correndo desesperado
Projéteis brilhando ao pôr – do – sol
Teus lábios abrindo delicadamente para um beijo
Beijo famélico, sufocante, tentador e mortal
Pobre ragazzo
Quando teu sangue fugia
Lembrou-te o frescor da brisa
O calor do sol
O abraço de teus companheiros
Todas a sensações escritas nos desejos de teu corpo nu
Ficou excitado neste momento
A Ceifadora lhe deu as melhores recordações
Tentastes te defender com os lírios brancos
Mas agora eles jazem ao teu lado no veludo vermelho
A metralhadora fora mais esperta
Pobre ragazzo
O Destino nunca respeitou a Beleza
Corações puros nunca deveriam ir para os campos de batalha
Ainda assim ele permitiu a sobrevivência de tua perfeição
Fostes imortalizado, fotografado como santo
E ainda andas despertando emoções físicas em outros jovens
Miravas também teu legado
Pois agora ainda não és diamente
É apenas carbono
Pobre ragazzo
(Insônia, 21de maio, 00:19h, ao som de Carbon Kid – Placebo)

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