sexta-feira, 27 de maio de 2011

Máscara Veneziana 

Para URB


A Lua. Carnaval em Veneza - Lorena Barbier. 2011



Mentes para ti mesmo deste que passou a seguir este caminho
Quando preferiu aprisionar tua bela essência em uma gaiola de ferro em brasa
E colocou sua máscara veneziana de falsidade
Andas pela rua ao lado de tua cadela sarnenta,
Cadela com a boca espumante de raiva,
Cadela que te guia, como o cego que tornastes
A cadela Hipocrisia
Não há vestígios de raio de sol em teu caráter?
Já arrancastes de mim lágrimas ardentes
Com tuas palavras de nocaute
Hoje há um distanciamento profundo
Que reina dentro dos condados de meu pensamento
Onde a dúvida passeia placidamente
O dragão das flamas impróprias e inconvenientes
A princesa sendo comprimida por paredes cheias de lanças letais
Será que és o dragão ou a frágil princesa?
Seu carnaval está por um fio
Muitos já vêem a verdade em seus olhos
Mesmo estes usando tua máscara como cobertor
A festa está acabando, todos estão partindo
Não haverá nem policiais para te conduzirem ao lar
Sentarás na calçada, tirando tua máscara veneziana?
Expulsarás esta cadela feroz de teu lado?
Tua soberba será a bola de ferro em teus pés quando pisares em falso na gôndola?
Sentes solitário na calçada coberta de vômito de outros
Tire tua máscara, e execute o ritual purificador do choro
Observarei, vestido como o mais lindo dos Pierrots
Pois não bebo da taça do rancor
Este veneno que todos tomam e esperam que outros morram em seus lugares
Tomo o líquido incolor da indiferença, apenas
Vermelhos, azuis, amarelos e verdes, meus hematomas de teus nocautes se tornaram
Talvez uma mão surja em tua frente
Talvez minha mão cansada, por ti repudiada
Tentarei com todas as forças acreditar no teu melhor
Mas se não quiseres, mesmo assim, partirei feliz
Enquanto mergulharás definitivamente no mar de tuas tristezas
Nesta estreita e obscura viela de Veneza que passou a ser tua história.

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