Lapa e Ipanema
Para Luma
Eder Sallez. Bares da Lapa e Amanhacer em Ipanema. Fotografia. 2010
Sou a alvorada no morro, que beleza!
És promessa de vida de um coração!
Sou a malandragem e a fumaça pesada do cigarro
És a doçura sensual e o beijo cálido do charuto
Sou as calçadas percorridas por um trabalhador
És o calçadão, tapete de estrelas
Sou a mulata que ensaboa roupas e reza
És garota cheia de graça e olhar perdido
Sou a alegria que faltava
És a que sofre calada, solidão
Sou a Senhora Tentação vinda das cordas de aço
És Tereza da Praia, de qual? Não sei
Sou a cachaça
És o uísque
Sou a Lapa
És Ipanema
Sou Cartola
És Tom
Somos estes versos simples e sem graça, de minha autoria
Somos estas idéias magníficas, esplendidamente roubadas
Por um malandro das letras e por uma dama de fala voluptuosa
E que produziram uma única rima final
No meu mundo que é um moinho, fechado verão.
São teus sorrisos, que como águas de março, aliviam meu coração
Ao som de Alvorada – Cartola e Águas de Março – Tom Jobim

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