sexta-feira, 29 de abril de 2011


A Cada Pincelada Uma Expectativa


Quando a dor parte, sorrio para as expectativas.
Expectativas sem rosto, sem cor, sem perspectiva,
Mas que não chegam a ser dadaístas, expectativas impressionistas,
Feitas para romper com os padrões acadêmicos
Projetadas para serem contempladas à distância

Expectativas de novos sorrisos enigmáticos,
Que não se deixam revelar por completas, entremeadas pelo claro/escuro barroco.
Imperfeitas sempre, pois só na abstração platônica são plenas,
Potencializadas pelo absinto e o tabaco, pairam funestas como os tons tóxicos de azul

Irmã gêmea da Inspiração, não me levará a cortar a orelha.
E não nem tão pouco me retratar como uma mexicana de amor na testa e rio nos olhos.
Apenas me confortará como uma manta colorida que cobre um casal de amantes,
Ou me concederá o semblante inocente de um Pierrot inacabado que fugiu do cubismo.

Estou nesta tela branca em que as expectativas estão a pincelar.
Em pouco tempo um novo mundo de símbolos semióticos.
O crítico prostrado diante de minha realidade complexa já se admira
Leiloado serei, novas mãos e novos donos.
Quando as expectativas partirem, sorrirei para meus admiradores ceifados pela Síndrome de Stendhal.

Estarei novamente sozinho na imensidão desta galeria da arte passional
A dor chegará e mostrarei minhas presas de marfim, em pouco tempo fugirá.
As expectativas regressarão, velhas conhecidas, já não me produzem nada.
Já sou obra pronta, agora servirei de base para estudos de escolas futuras.
Tema para novas criações, almas novas de onde a dor escapou e as expectativas se infiltraram.


Último retoque às 01: 30 da manhã deste dia.

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